Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual: desafios, cuidados e o papel das instituições
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O envelhecimento da população é uma realidade global — e esse fenômeno também alcança as pessoas com deficiência intelectual. Com o aumento da expectativa de vida desse grupo, cresce também a necessidade de cuidados especializados, políticas públicas adequadas e instituições preparadas para oferecer suporte de qualidade.
Quem são as pessoas idosas com deficiência intelectual?
A deficiência intelectual (DI) é caracterizada por limitações significativas no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo, afetando a capacidade de aprender, comunicar e realizar atividades cotidianas de forma independente. Quando essa condição se combina com o envelhecimento, surgem novos desafios e necessidades específicas.
Estima-se que o número de adultos com deficiência intelectual e de desenvolvimento com mais de 60 anos deva crescer de cerca de 641 mil em 2000 para 1,2 milhão até 2030. No Brasil, esse grupo ainda é pouco visível nos serviços de saúde e assistência social — o que torna o trabalho das instituições ainda mais essencial.
O que muda com o envelhecimento?
Pessoas com deficiência intelectual podem envelhecer mais precocemente e enfrentar:
- Declínio cognitivo — comprometimento de memória, linguagem, raciocínio e percepção
- Problemas de saúde crônicos — doenças cardíacas, diabetes, hipotireoidismo, entre outros
- Isolamento social — agravado pela perda de cuidadores familiares que também envelhecem
- Dificuldades na comunicação — limitando a capacidade de expressar sintomas e necessidades
- Dependência aumentada nas atividades da vida diária
Aproximadamente um terço dos adultos com DI vive com um cuidador familiar com 60 anos ou mais — e um número considerável dessas famílias permanece invisível para os serviços de saúde e assistência social.
O que revelou a pesquisa do FEPIDI?
O Fórum do Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual (FEPIDI), fundado há mais de 10 anos em São Paulo, realizou uma pesquisa com 198 pessoas idosas com DI atendidas por 8 instituições durante o período da pandemia de COVID-19 (2020–2022).
Os resultados evidenciaram o impacto da pandemia sobre essa população já vulnerável. As principais perdas funcionais observadas foram:
| Área | O que foi observado |
|---|---|
| Linguagem | Repetições, lentidão na comunicação, anomia |
| Memória | Dificuldade para reter informações recentes |
| Raciocínio | Lentificação, dificuldade para argumentar |
| Percepção | Rebaixamento, falta de atenção |
| Cognição social | Introversão, maior isolamento |
| Comportamento e humor | Depressão, agressividade, estereotipias |
| Habilidades motoras | Lentidão, desequilíbrio, sobrepeso |
| Atividades da vida diária | Dificuldades no autocuidado |
A faixa etária de 40 a 49 anos concentrou o maior número de pessoas atendidas — reforçando que o processo de envelhecimento nessa população começa mais cedo do que na população geral.
Como as instituições responderam à pandemia?
Diante do isolamento social imposto pela COVID-19, as instituições do FEPIDI desenvolveram estratégias criativas e adaptativas para manter o cuidado:
- Envio de atividades para execução em domicílio
- Atendimento presencial pontual quando necessário
- Uso da tecnologia para conexão com atendidos e famílias
- Oficinas de intervenção cognitiva e estimulação online
- Atividades de corpo e movimento, música e arteterapia
- Jogos em grupo à distância
- Orientação e capacitação de pais e cuidadores
- Oficinas da memória online
- Manutenção de datas comemorativas no formato virtual
Quais foram os ganhos observados?
Apesar dos desafios, as instituições registraram avanços importantes:
- Aumento do nível motivacional
- Maior envolvimento das famílias
- Aprendizado de tarefas domésticas
- Melhor interação por meio da tecnologia
- Maior capacidade de adaptação a mudanças
- Melhoria na resolução de problemas
- Alterações positivas no comportamento e humor
Esses resultados mostram que, com suporte adequado e abordagem centrada na pessoa, é possível promover envelhecimento ativo mesmo em condições adversas.
O papel das instituições de apoio
A pesquisa do FEPIDI contou com a participação de instituições como ADERE, ADID, APABEX, APOIE, Chaverim, Instituição Beneficente Nosso Lar e a Fundação Dona Paulina de Souza Queiroz — que desde 2020 retomou suas atividades com foco em emprego apoiado a partir dos 18 anos e envelhecimento ativo a partir dos 35 anos.
O estudo reforça que o cuidado à pessoa idosa com deficiência intelectual exige uma abordagem holística, multidisciplinar e centrada na pessoa — considerando não apenas as necessidades clínicas, mas também os aspectos emocionais, sociais e práticos da vida diária.
“O envelhecimento ativo, conceituado pela OMS como o processo de otimização das oportunidades de saúde, aprendizagem ao longo da vida, participação e segurança, estende-se às pessoas com deficiência intelectual.”
Fonte: Fórum do Envelhecimento da Pessoa com Deficiência Intelectual (FEPIDI). Inovando no Atendimento das Pessoas Idosas com Deficiência Intelectual — Desafios nas Instituições de Apoio. São Paulo, 2022.
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