Síndrome de Down

Regressão na Síndrome de Down: o que é, sintomas e como agir

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Regressão na Síndrome de Down: o que é, sintomas e como agir

Quando uma pessoa com síndrome de Down começa a perder habilidades que já havia conquistado — como falar, ir ao banheiro sozinha ou interagir com quem ama — é natural que a família se assuste. Essa situação tem nome: regressão. E entender o que está por trás dela pode fazer toda a diferença no tratamento e na qualidade de vida.

O que é regressão na síndrome de Down?

Regressão é a perda de habilidades do desenvolvimento que uma pessoa já havia adquirido. Ela pode afetar a linguagem, as atividades da vida diária, as funções motoras ou a interação social. O declínio pode acontecer ao longo de semanas ou meses, e o ritmo com que surge é um dado importante para identificar a causa.

Uma das causas mais estudadas é a Desordem Regressiva da Síndrome de Down (DRSD) — também chamada de Desordem Desintegrativa da Síndrome de Down (DDSD) ou Regressão Inexplicável da Síndrome de Down (RISD). Esses termos costumam ser usados como sinônimos.

A regressão pode ser causada por muitos fatores e está associada a um declínio acentuado nas funções previamente estabelecidas.

Quais são os sintomas da DRSD?

Os sinais variam de pessoa para pessoa, mas os mais comuns incluem:

  • Afastamento social — da família, amigos e colegas
  • Perda ou diminuição da linguagem — fala reduzida, “falar como bebê”, voz sussurrada
  • Perda de habilidades do desenvolvimento adquiridas anteriormente
  • Maior dependência nas atividades diárias — dificuldade para ir ao banheiro, se alimentar ou se vestir sozinha, quando antes conseguia
  • Características semelhantes ao autismo que não estavam presentes antes — como diminuição do contato visual, ecolalia, estereotipias
  • Alterações motoras — rigidez, movimentos lentos, “congelamento”, tiques
  • Catatonia — inflexibilidade muscular, posturas estranhas, movimentos sem propósito
  • Mudanças nos padrões alimentares — falta de interesse ou lentidão extrema ao comer
  • Insônia e dificuldade para dormir
  • Comportamentos compulsivos ou obsessivos
  • Conteúdo de pensamento bizarro (psicose) — alucinações, delírios, consciência alterada
  • Humor e afeto inadequados — choro sem motivo, risos fora de contexto
  • Agressividade consigo mesmo ou com outros
  • Aumento de monólogo (“falar sozinho”)

Um ponto importante: pessoas com DRSD geralmente apresentam um início subagudo, com sintomas surgindo em menos de 3 meses. A presença de “gatilhos” — como mudanças no ambiente doméstico ou escolar, doenças ou hospitalizações — pode preceder o início dos sintomas.

Quais são as outras causas de regressão?

Antes de confirmar o diagnóstico de DRSD, é fundamental investigar outras causas, pois muitas delas são reversíveis:

Causas médicas

Apneia obstrutiva do sono, hipotireoidismo, distúrbios da coluna cervical e doença celíaca estão entre as condições que podem provocar ou contribuir para a regressão.

Causas psiquiátricas e psicológicas

Pessoas com síndrome de Down têm taxas mais altas de depressão, ansiedade, catatonia e transtornos do espectro do autismo. A catatonia, em especial, merece atenção: é comum na DRSD e tem tratamento específico, com bons resultados por benzodiazepínicos (como o Lorazepam) e eletroconvulsoterapia (ECT).

Causas neurológicas

Convulsões (epilepsia), doença de Alzheimer, AVC e doenças mitocondriais precisam ser descartadas. Uma avaliação neurológica completa — incluindo EEG, ressonância magnética e análise do líquor — é fortemente recomendada.

Causas neuro-imunológicas

Em alguns casos, a regressão está associada a inflamação cerebral. Imunoterapias têm mostrado benefício em estudos, mas a indicação deve ser feita por especialista.

Causas genéticas, nutricionais e ambientais

Variações genéticas adicionais, deficiências vitamínicas graves, infecções e exposição a toxinas também podem estar envolvidas.

O que fazer diante da regressão?

Se seu familiar apresentar alguns desses sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica imediata. O diagnóstico precoce pode melhorar significativamente os resultados.

O ideal é contar com uma equipe multidisciplinar: neurologista, psiquiatra, psicólogo, terapeuta e serviço social. A DRSD é um diagnóstico de exclusão — ou seja, outras causas precisam ser descartadas antes de confirmá-la.

Nós, como comunidade médica, ainda estamos aprendendo as melhores maneiras de testar, diagnosticar e tratar pessoas com DRSD. Um diálogo aberto entre você e seu médico é a melhor maneira de otimizar o atendimento.

Down Syndrome Medical Interest Group (DSMIG-USA)

Existe tratamento?

Não existe um tratamento único. As opções variam conforme a causa identificada e podem incluir antidepressivos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, benzodiazepínicos, imunoterapia e eletroconvulsoterapia. O cuidado multidisciplinar é fortemente encorajado.

Fonte: DSMIG-USA — Down Syndrome Medical Interest Group. Regressão em Pessoas com Síndrome de Down: atualização do consenso para famílias. Mais informações sobre ensaios clínicos: clinicaltrials.gov

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